26 setembro 2010

Aprendendo com os detalhes

Às vezes um detalhe nas escrituras pode evidenciar uma grandiosa doutrina do plano eterno de Deus. Encontramos um destes exemplos lendo o livro de Jó. No primeiro capítulo deste livro, nos versículos 2 e 3 encontramos as seguintes informações:

"E nasceram-lhe sete filhos e três filhas.

E o seu gado era de sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; eram também muitíssimos os servos a seu serviço, de maneira que este homem era maior do que todos os do oriente."

A princípio estes números parecem ter sido registrados apenas para mostrar o quão prospero era Jó ou quão grande foram suas perdas, já que, devido a sucessivas tragédias,ele perdeu todos os seus bens e filhos. Porém, podemos aprender mais através destes números. Depois que a história das provações e fidelidade de Jó é narrada, vemos que o Senhor abençoou este profeta. Em Jó 42:12-13 lemos:

"E assim abençoou o SENHOR o último estado de Jó, mais do que o primeiro; pois teve catorze mil ovelhas, e seis mil camelos, e mil juntas de bois, e mil jumentas.

Também teve sete filhos e três filhas."

Se comparmos estes versículos com Jó 1:2-3 veremos que tudo o que Jó havia perdido, o Senhor concedeu novamente em dobro. Somente o número dos filhos de Jó não é citado em dobro no versículo 13 do capítulo 42. É neste ponto que os números se tornam mais do que apenas dados sobre a vida de Jó. Os dez filhos que Jó tinha inicialmente não foram perdidos para sempre ao contrário dos seus bens. Portanto o Senhor permitiu que Jó tivesse mais dez filhos sendo que os outros dez primeiros filhos ainda pertenciam a ele. Este detalhe na escritura nos lembra que no plano eterno, as famílias podem ser eternas. Ao contrário dos nossos bens que não levaremos desta vida mortal, os laços familiares podem ser prolongados para além da mortalidade e perdurarem para toda a eternidade.

11 julho 2010

Simbologia do Templo: Fonte Batismal

A fonte batismal passou a ser incluída nos templos modernos a partir da construção do Templo de Nauvoo quando o Senhor revelou ao Profeta Joseph Smith o seu propósito conforme registrado em D&C 124:29-33. A fonte batismal seria construída para a realização de batismos em lugar e a favor dos mortos assim como na época do Novo Testamento 1Coríntios 29:15). O apóstolo Paulo ensinou em sua carta aos Romanos que a ordenança do batismo possui um simbolismo de sepultamento da vida antiga em pecado e de renascimento para uma nova vida em Cristo (Romanos 6:3-5). A fonte batismal tanto nas capelas como nos templos, está abaixo do nível do solo tornando o simbolismo de sepultamento e renascimento do batismo ainda mais significativo (D&C 128:12-13).

Nos templos a fonte batismal está sobre doze bois da mesma forma como o mar de fundição no Templo de Salomão (1Reis 7:23-26, 2Crônicas 4:2-6). As fontes nos templos do Velho Testamento eram usadas para rituais de lavamento dos sacerdotes. Somente após a ressurreição de Cristo é que a ordenança do batismo vicário começou a ser realizada. Os doze Bois são usados para representar as doze tribos de Israel. Os bois estão divididos de 3 em 3 sendo que cada trio está virado para uma direção: norte, sul, leste e oeste simbolizando a coligação de Israel dos quatro cantos da Terra. Contudo, o boi foi o animal usado para representar a tribo de José (Deuteronômio 33:17). Portanto, porquê todas as doze tribos que possuem seus próprios símbolos, são representadas pelo boi que é o símbolo da tribo de José? As revelações modernas mostram que a tribo de José que possui a primogenitura terá um importante papel nestes últimos dias sendo responsável pela coligação de todas as tribos de Israel (2Néfi 3:3-24, TJS - Gên.50). O nome José em hebraico é Asaph e significa " ele é quem coliga".



Foto acima: Fonte batismal do Templo de Draper, Utah - EUA

Fonte do texto: Matthew B. Brown e Paul Thomas Smith, Symbols in Stone: Symbolism on the Early Temples of the Restoration, p.94-96.

04 julho 2010

Lições do Livro de Mórmon: Imagem de Deus em nossos semblantes

No capítulo 5 do Livro de Alma, o profeta faz o seguinte questionamento:

"E agora, eis que vos pergunto, meus irmãos da igreja: Haveis nascido espiritualmente de Deus? Haveis recebido sua imagem em vosso semblante? Haveis experimentado esta poderosa mudança em vosso coração?"

O vídeo a seguir é parte de um documentário chamado "Journey of Faith: The New World" contendo comentários de estudiosos de diferentes áreas. Os comentários no vídeo ajudam a termos uma compreensão maior sobre o contexto relacionado ao conceito de ter a imagem divina no semblante.

28 junho 2010

Simbologia do Templo: Pedra da Lua

Além de formas geométricas, outro tipo comum de símbolos nos templos são os emblemas astronômicos. Dentre eles, temos a pedra da Lua (moonstone) conhecida principalmente por fazer parte da decoração do templo de Nauvoo e de Salt Lake. No templo de Nauvoo, a pedra da lua pode ser encontrada na base de seus pilares como uma lua crescente com a face voltada para baixo. Além de servir como um sinal da Segunda Vinda (Isaías 13:9, Mateus 24:29, Apocalipse 6:12-13, D&C 29:1434:9; 45:42; 88:87, 133:49), a lua também é usada como símbolo da glória terrestrial:

"E também vimos o mundo terrestre e eis que estes são os que pertencem ao terrestre, cuja glória difere da glória da igreja do Primogênito, que recebeu a plenitude do Pai, assim como a glória da lua difere da do sol no firmamento". D&C 76:71


Acima, foto de uma Pedra da lua no Templo de Nauvoo por Scot Facer Proctor

Em alguns outros templos, incluindo o de Salt Lake, as quatro fases da lua aparecem representadas na decoração. Essas fases da lua sugerem os estágios do progresso humano: nascimento, vida, morte e ressurreição e também sua jornada de um estado de trevas para um de luz.


As duas fotos acima mostram detalhes da parte externa do templo de Albuquerque no Novo México, EUA. À esquerda, a pedra da lua aparece como uma lua crescente e à direita o símbolo é de uma lua cheia. Fotos por Altus


Foto acima de uma das paredes do templo de Preston na Inglaterra mostrando as quatro fases da lua.

Fonte:

Matthew B. Brown e Paul Thomas Smith, Symbols in Stone: Symbolism on the Early Temples of the Restoration, p.98,150-151.

27 junho 2010

Banqueteai-vos com as palavras de Cristo (Parte IV)

A 3ª dica fala sobre o uso de gravuras e adesivos nas escrituras.

De acordo com a autora, "colocar fotos e adesivos em suas escrituras SUD é uma forma muito divertida de animar o seu tempo de estudo e é perfeito para estudantes de todas as idades."

Ela fala de utilizarmos os adesivos "see-through", que são adesivos bem finos e transparentes que podem ser colocados sobre as escrituras e não cobrem o que esta escrito e nem engrossa as paginas.

Um ponto importante, é que eles são caros (inclusive ela cita isso) e não vende aqui no Brasil. Caso vocês tenham a chance de pedir para alguém trazer dos EUA,  vale a pena.

Ela também ensina a fazer os próprios adesivos cortando fotos das revistas da Igreja, especialmente fotos do "Amigo", ou imprimir alguns cliparts SUDs.

Uma dica importante ao colar fotos, é usar uma cola bastão e só colocar uma pequena quantidade de 
cola na parte da imagem que será anexada a margem e não colocar cola nas partes que cobrem o texto. Desta forma, você pode levantar a imagem para ler o texto abaixo dela. 

Adesivos também são bastante interessantes de serem usados. Só não podem cobrir partes do texto. Para isso, utilize adesivos que caibam nas margens. Vocês podem usar adesivos de coração ou estrela para marcar os versículos favoritos ou então aqueles que tocaram seu coração enquanto estavam estudando.

Utilizei essa técnica e funcionou muito bem para mim. Comprei pequenos adesivos de coração e colei ao lado dos versículos que mais me tocaram. Hoje quando vejo uma coração numa página, já sei que tem uma escritura favorita ou muito importante ali.

Lições do Livro de Mórmon: Humildade

A etimologia (estudo da origem das palavras) pode ajudar a tornar o estudo das escrituras mais significativo. Tive um exemplo disso estudando o sonho de Leí em 1 Néfi 8 no Livro de Mórmon. Neste capítulo lemos que Leí sonhou que estava em um campo largo e espaçoso que representava o mundo (1 Néfi 8:20). Neste campo, ele viu alguns grupos de pessoas que através da barra de ferro representando a palavra de Deus (1 Néfi 11:25), tentavam chegar até a árvore da vida, símbolo do amor de Deus (1 Néfi 11:21-22). Ele também viu que muitos se perderam em meio a uma densa névoa de escuridão que simboliza as tentações do diabo (1 Néfi 12:27). Durante a sua narrativa, Leí descreve a presença de um outro elemento de sua visão:

"E eu também olhei em redor e vi, na outra margem do rio de água, um grande e espaçoso edifício; e ele parecia estar no ar, bem acima da terra." 1 Néfi 8:26

Posteriormente, em 1 Néfi 11:36, Néfi explica que este grande e espaçoso edifício representa o orgulho do mundo. Resolvi pesquisar a etimologia da palavra humildade que é o oposto de orgulho. Ela vem do latim humus que significa chão. Então podemos ver o humilde como aquele que tem os pés no chão, que não exalta a si próprio. A respeito das pessoas que ocupavam o edíficio, Leí disse:

"E estava cheio de gente, tanto velhos como jovens, tanto homens como mulheres; e suas vestimentas eram muito finas; e sua aatitude era de escárnio e apontavam o dedo para aqueles que haviam chegado e comiam do fruto." 1 Néfi 8:27

Vemos portanto que os moradores do grande e espaçoso edifício eram pessoas orgulhosas e então fica claro porque no sonho este edifício é representado acima do chão, sem ter alicerce. Mais adiante, Néfi narra o destino que teve o grande e espaçoso edifício da seguinte maneira:

"E aconteceu que vi e testifico que o grande e espaçoso edifício era o aorgulho do mundo; e ele caiu e sua queda foi muito grande."

O grande e espaçoso edifico e seus moradores foram levados ao chão de forma forçada. Se o humilde é aquele que mantém os pés no chão, o humilhado é aquele que por não querer demonstrar humildade, acaba sendo levado ao chão. O final do edifício do sonho de Leí é uma metáfora do que as escrituras predizem:

"E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado." Mateus 23:12


Lehi's Dream, pintura por Damir: http://www.damirkrivenko.ru

26 junho 2010

Simbologia do Templo: Quadrado e Círculo

Após o ótimo começo que a Thaís deu ao blog, agora é minha vez de estrear por aqui. Escolhi um dos meus assuntos favoritos no evangelho: símbolos. Lendo as escrituras vemos que um dos métodos preferidos pelo Senhor para ensinar Seus filhos é através dos símbolos. Essa é uma linguagem de alcance universal e é capaz de fixar princípios de forma mais profunda na mente e no coração das pessoas.

Além das escrituras, encontramos um vasto uso de símbolos nos templos que nos ensinam sobre os princípios do evangelho e do plano eterno. Com a intenção de mostrar a beleza de significado por trás dos símbolos encontrados nos templos, farei uma série de postagens sobre este assunto. Em cada post falarei sobre um símbolo específico abordando seu significado. Então vamos ao primeiro:

O primeiro é um símbolo simples de belo significado. É constituído pela união de duas figuras geométricas: um círculo dentro de um quadrado. Hugh Nibley descreve em seu trabalho o círculo representando a circunferência dos céus e o quadrado como os quatro cantos da Terra. A junção destes dois símbolos geométricos lembra-nos que no templo é onde o céu e a terra se unem. O Élder John H. Groberg que foi membro dos Setenta explicou muito bem a importância dessa interação em nossas vidas em um trecho do seu livro "O Outro Lado do Céu":

" Existe uma conexão entre o céu e a terra. Encontrá-la faz com que tudo tenha sentido, inclusive a morte. Não encontrá-la torna tudo sem sentido, inclusive a vida".


Foto de uma das salas do Templo de Draper em Utah, EUA. Neste templo o símbolo do círculo no quadrado aparece no design da cadeira.

Fonte:

Hugh B. Nibley, "The Circle and the Square", Temple and Cosmos, p. 139-73.

Matthew B. Brown e Paul Thomas Smith, Symbols in Stone: Symbolism on the Early Temples of the Restoration, p. 154.